Sunday, November 15, 2009

Viver no Exterior

Viver no Exterior é um desafio. Oh, eu não estou falando de viver fora do Brasil. Estou falando de viver longe de seu país. Seja o Brasil para brasileiros, a França para franceses, a Jamaica para jamaicanos. Viver no Exterior. Aprender - a conviver e a respeitar - uma cultura diferente.

Engraçado que quando fui para a França, embora apenas arranhasse a língua, não senti muito desconforto. Os parisienses - ao contrário do que reza a lenda - foram super-simpáticos comigo. Tão logo observavam minha dificuldade com o idioma, prontificavam-se a falar comigo em inglês - para meu horror, que queria porque queria falar em francês.

A língua inglesa não é exatamente estranha para mim - como para uma parcela de brasileiros. Minha filha, que trabalha em uma butique de luxo em Paris, foi indagada se o inglês é a segunda língua oficial do Brasil, porque os brasileiros afortunados que vão comprar na tal butique se exprimem perfeitamente em inglês.

Mas, voltando ao núcleo duro do assunto, o que eu quero dizer é que viver fora de seu país de origem é uma oportunidade maravilhosa de conhecer outros modos de vida - que funcionam. É uma perda de tempo se instalar em outro país e não mergulhar nele. Tenho uma colega no Itamaraty que serviu na Turquia e aprendeu o idioma turco. Eu mesma, se um dia for mandada pra Israel, aprenderei iidich; e se for para o Magreb (sabe, aqueles países no Norte da África, Marrocos, Argélia, Tunísia), aprenderei árabe, embora não seja necessário, porque eles também se exprimem em francês e em inglês. Mas, pôxa, não vou perder essa oportunidade!

Bla-bla-bla à parte, quero dizer que passei meu domingo mergulhada na Irlanda. Cheguei hoje de manhã à página 590 do livro The Princes of Ireland, de Edward Rutherfurd (bacana, faltam só 186 páginas para terminar o épico, que, aliás, recomendo). Enquanto passava minha roupa (ah sim, empregada doméstica aqui não é fácil e barata como no Brasil) ouvia o audio-book De Profundis, de Oscar Wilde. E depois do almoço assisti o DVD In the name of the father. Agora, enquanto escrevo este post, estou ouvindo a trilha sonora do filme Once e bebericando guaraná misturado com whiskey Jameson.

"Que exagerada!",você dirá, talvez com razão. Mas o fato é que faria o mesmo se estivesse na China ou no Paquistão.

Curiosa, curiosa, curiosa.

Como minha nora, inglesa, que aprendeu português como língua optativa na faculdade, por causa do marido dela (o meu filho). Ou como meu genro, francês, que sonha em comprar um pied-à-terre no interior do Rio de Janeiro, por causa da mulher dele (a minha filha).

Mas, voltando - de novo - ao assunto principal: será que é assim tão difícil respeitar o modo de viver dos outros?

Eu acho que esse planeta está ficando pequeno demais para a minha aquariana curiosidade.

15 comments:

Magui said...

Concordo plenamente com vc.Acho, inclusive, que não se deve ficar comparando um país com o outro.

Acho triste uma pessoa morar longe do Brasil, por ex, e ficar comparando a nossa civilização com outra completamente diferente e, sempre desmerecer o Brasil e sua gente.
Acho mesmo que, se a pessoa mora fora do Brasil e não participa diretamente da fase de mudanças que passamos, com muito trabalho e luta para fazer o Brasil crescer, deve abster-se de falar horrores do brasileiro, seus costumes e tipo de modo de viver.

Vc gostar do meu estilo de escrever me dá muita satisfação, visto ler tanto e ter tão vasta e fina cultura.Obrigada!

Cecilia e Helena said...

Olá, Teresa:
Você tem toda razão. Saber apreciar o que cada cultura nos oferece é primordial. Ser curioso a respeito do outro; curiosidade sadia que se transforma em respeito pelo modo de ser de cada um. Excelente texto.
Só fiquei com ciúme, porque você disse que se fosse para Israel aprenderia o ídiche. E o ladino, Teresa, onde fica? Aliás, os fundadores de Israel foram, na maioria, sefaradis. Acho melhor aprender hebraico, assim ninguém fica enciumado!
Mandei meu e-mail pelo Google Friend Connect. Você recebeu?
Abraço da Cecilia.

Maria Augusta said...

Teresa, eu também dei um mergulho na cultura francesa tentando conhecer e experimentar tudo...mas adotar já é uma outra história, aqui entre minhas 4 paredes, tenho meus hábitos brasileiros, respeitando os do meu marido francês...na medida do possível rs. Também não podemos nos mudar radicalmente, é preciso encontrar um ponto de equilíbrio.
Beijos e uma boa semana para você.

Luma Rosa said...

Teresa, acho que você se dá bem por onde vai, porque está aberta a novas experiências. É uma camaleoa! E assim deveriam ser todos que se prestam a morar fora do seu país. Pessoas que não querem aprender, podem ser encaradas como arrogantes pelos habitantes de origem, não acha?
Boa semana! Beijus,

Maria Augusta said...

Teresa, coloquei o "As time goes by" na minha relação dos bons blogs para o Bloggincana. Não é selinho, é uma gincana virtual da qual estou participando que pede que citemos 3 bons blogs.
Um beijão.

Camila Hareide said...

Então, temos duas coisas em comum - Aquário e a dura vida de um expatriado, que dribla a saudade de sua terra tentando se adaptar ao máximo à nova cultura. E seja ela qual for, acho que é fundamental se integrar. Caso contrário, nos tornamos aquelas pessoas amargas pro resto da vida, que vivem num lugar querendo estar em outro (já conheceu gente assim?).

Faz bem você em se afogar em Jameson, Daniel Day-Lewis e Oscar Wilde, ícones irlandeses. Adoro a irlanda, acho um país fenomenal, e os irlandeses são os brasileiros da Europa, não são?

Descobri teu blog não lembro como, mas tenho lido desde então!

abs
Camila

Sandra said...

Vim lhe conhecer. Pois conforme a Maria augusta lhe deixou no recado acima, referente a gincana da blogofesra, achei interessante e vim.
Gostei muito. Traz boas informações realmente.
Com muito carinho. Estou também participando dessa rodada.
Assim conhecemos novas pessas.
Fique com Deus e muito Sucesso para vc.
Sandra

Fernanda Medeiros said...

Oi Teresa! Dei uma passadinha pelo seu blog, pq achei interessante o post.

Realmente estar fora aporta mtas coisas. Possivelmente, mais coisas boas que chatas. Como vc mesma citou, é complicado a gente deixar o nosso país e embarcar para outro país de diferente cultura.

A parte chata de estar por aqui é que o pessoal é mto fechado.
Já dei mtas voltas, tentando entender porque, e cheguei a conclusao de que isso tem a ver o conhecimento.
O conhecimento pode fazer mto...
Por isso as pessoas daqui sao fechadas, retrogradas às mudancas, ocasionando com mta frequencia, um ambiente chato para os imigrantes.

Já me acostumei com isso e na verdade, já nao me afeta como antes, pq eu entendo td isso.

Mas agora estou respirando novos ares...
Sei que nao conseguirei mudar o mundo, mas creio que eu posso escolher se ficar aqui ou partir para outro lugar, quem sabe, me aporte o que é necessário para mim, nesse momento.

Tenho mtas inquietudes!

Nao acho que eu perdi o tempo. Valeu mto a pena, pq além de aprender o idioma entre outras coisas, tb conheci o que significa amar alguém.
E isso é uma licao que nao se aprende tds os dias. Nao é verdade??

Bsssssssssssssssssss Fe

Meire said...

Tere, muito legal este post, viver em outro paìs nao é facil, e nao da' pra viver em outro paìs querendo impor as suas regras.
Se vai a Roma, viva como um romano, nao é assim?

Bjs

PS Voce gosta de musica?

ElmaCarneiro said...

Tereza
Vim conhecer seu blog, afinal compomos o trio de blogs que nossa amiga Maria Augusta formou. Fiquei muito feliz por estar entre duas maravilhosas pessoas. Já vi algumas das suas postagens e amei todas, você tem uma forma muito agradável e natural de escrever. Gostei muito também do que escreveu em "Deixa eu pensar um pouco".
Vi que é ligada as artes gostaria que conhecesse meu outro blog o Espaço das Artes, que fica bem ali do ladinho do Caliandra do Cerrado.
Foi um prazer conhecer você.
Beijos do centro-Oeste do Brasil a 200 km de Brasília.
Bye

Elis said...

Teresa, quando a gente para de comparar e reclamar disso ou daquilo, a gente acaba enxergando o que realmente importa e conta em nossas vidas (vivendo no exterior ou nao).Mas, ca entre nos, a gente sabe que viver no exterior nos bota em frente com os desafios e a gente abre os abracos e abraca a nova realidade mergulhando na luz do escuro da nova realidade. E a gente aprende, ne? Essa sua curiosidade me e muito intima,minha amiga!

Cecilia e Helena said...

Teresa:
Recebeu meu e-mail?
Bom, fica aqui: cf.silva@terra.com.br
Abraço da Cecilia.

Diz said...

Por estas e outras eu gosto de vc- gosta de gente, lugares, é curiosa, quer mais p vc- sou assim tb :)
Boa sorte! e qt aos franceses, foram super simpáticos comigo pq viram meu esforço em falar o francês, ajudavam.
bjs Laura

Mírian Mondon said...
This comment has been removed by the author.
Raul said...

Ótimo post! Mas não se preocupe que o mundo é grande demais da conta pra saciar a curiosidade de qualquer um.
Aproveite bastante a Irlanda!
Até mais, Raul.