Saturday, December 31, 2011

Se é para ser, que seja...

Se é para haver dia, que o dia seja de sol dourado
Se é para haver noite, que a noite seja banhada pela prata da lua
Se é para haver inverno, que o inverno seja aquecido pelo fogo da lareira
Se é para haver verão, que o verão seja à beira do mar cristalino
Se é para haver nascimento, que o nascido seja recebido com festa
Se é para haver morte, que o morto se vá deixando marcas indeléveis

Se é para haver vida, que a vida seja celebrada com beleza, alegria e amor.

Thursday, December 16, 2010

Friday, November 12, 2010

A roda do tempo

Mais um inverno chegando. Antes das 17 horas já está escuro. Eu não me acostumo, mesmo sendo já a sétima vez. A calefação está ligada, mas a visão exterior que a janela projeta deixa bem claro que faz frio, muito frio. Chove e venta na Ilha Esmeralda.

Este texto não é uma lamentação, ao contrário. Estou feliz. Nessas tantas e infatigáveis voltas que a vida dá, neste final de 2010 o meu coração encontrou um porto seguro.

E eu me preparo para mais um fim de semana nos braços quentinhos e confortáveis do meu amor, embalada por esta magistral Rapsódia sobre um tema de Paganini, 18a. variação.

Enjoy!

Monday, September 27, 2010

Elegy XX To his mistress going to bed

By John Donne

...

Licence my roving hands, and let them go
Before, behind, between, above, below.
O, my America, my Newfoundland,
My kingdom, safest when with one man mann'd,
My mine of precious stones, my empery ;
How am I blest in thus discovering thee !
To enter in these bonds, is to be free ;
Then, where my hand is set, my soul shall be.
Full nakedness ! All joys are due to thee;
As souls unbodied, bodies unclothed must be
To taste whole joys.

Like pictures, or like books' gay coverings made
For laymen, are all women thus array'd.
Themselves are only mystic books, which we
—Whom their imputed grace will dignify—
Must see reveal'd.


Saturday, September 4, 2010

Daqui para a frente

Eu tenho uma espécie de motor ligado dentro de mim, que me impulsiona a ir sempre para a frente Ignoro o meu destino, mas, como é impossível ficar parada, eu vou.

Embora este jeito de ser seja a minha forca, também me assusta. Porque daqui a poucos anos estarei me aposentando e aí surge a questão: dedico-me a um tranquilo farniente, ou levo adiante aquele sonho antigo?

Vou me acomodar a uma rotina de caminhar na praia, frequentar livrarias e cinemas, ou enfrentar o desafio de tornar a literatura brasileira conhecida mundo afora?

O tempo me mostrara o caminho a seguir... O desejo que posso desde já expressar é que, algum dia, nesta longa caminhada, eu possa dizer: - Cheguei.

Thursday, August 26, 2010

Filosofando


O amor é uma doença, cuja cura requer a inoculação do antídoto da decepção, em doses sucessivas, até que o organismo reaja, criando o anticorpo da dúvida. O tratamento pode ser considerado um sucesso quando o organismo passa a resistir aos ataques do amor com os sintomas do cinismo.

Sunday, August 15, 2010

Il lamento della ninfa

Eu amo musica barroca, e, dentre todas, esta e' a minha favorita.

Monday, July 26, 2010

Deletando você


Estava com insônia, então tomei uma atitude: deletei o seu perfil. Vou deletando você aos pouquinhos. Ainda falta muito, mas é assim mesmo. Dois anos não se apagam em um só clique. Se fizesse isso, correria o risco de esvaziar a memória, o que não é minha intenção. Ficaram lembranças boas, somente espero encontrar um compartimento discreto nesse disco rígido que é o meu cérebro para armazená-las tranquilamente, de modo que não incomodem, não gritem, não exijam atenção.

Já aconteceu tantas vezes... mas a gente não se acostuma. Sempre acha que “desta vez” vai ser diferente. E sabe por que não é diferente? Porque nós somos, em todas as situações, iguais a nós mesmos. A gente não muda porque não pode mudar. Não se pode virar uma outra pessoa, nem que se queira, para agradar, sem desagradar a si mesmo. Uma hora ou outra, o nosso eu sufocado busca espaço para se exprimir, tal qual um vulcão quando entra em erupção e então só nos resta suspirar, talvez chorar, e apertar o botão delete.

Sunday, June 27, 2010

Sex and the City e as mulheres

Desde que minha filha aprendeu a exprimir suas opiniões, ela vem repetindo que eu sou diferente das demais pessoas. Claro que nunca concordei com esta assertiva. Sou um tipo perfeitamente corriqueiro, em nada me diferenciando dos demais seres humanos e - menos ainda - daqueles do meu genero, as mulheres.

Assim pensava eu. Até que, levada por uma doença que me deixou de cama por uma semana, comecei a assistir à série Sex and the City. Gostei tanto que acabei comprando todos os episodios. E ai veio a surpresa. Eu nao simpatizei com a personagem central, Carrie Bradshaw. Na verdade, eu a detestei. Mulher infantil, dependente, chata. Irritante.

Na véspera da estréia do segundo filme, no final de maio, assisti a um debate na televisão, protagonizado por quatro mulheres jornalistas e escritoras, sobre o fenomeno Sex and the City no pais e no mundo. Me chamou a atenção a afirmação da ancora do programa. Segundo ela, essa Carrie, que se deixa tratar como um lixo por Mr. Big, seria o prototipo de nada menos do que 90% das mulheres do planeta.

Chocada, comentei o fato com minha filha, que concordou com a avaliação da jornalista irlandesa. Sem palavras, pus-me a refletir.

Foi assim que, pela primeira vez, eu admiti que realmente devo ser diferente.

Eu vi um Mr. Big completamente diferente do que as mulheres "normais" viram. Aos meus olhos, ele sempre foi bastante claro sobre suas dificuldades com compromissos, dos quais fugia como o diabo da cruz. Mas também deixou claro seus sentimentos por Carrie, que queria, no entanto, faze-lo se encaixar na moldura que ela tinha fabricado para o homem "perfeito".

Bom, essa constatação me deixou com uma estranha sensação de isolamento. Mas não me conformo. Não é possivel que um numero tão grande de mulheres (quase a totalidade) considere que um relacionamento padrão com um homem seja a coisa mais importante a conquistar na vida, sem o que carreira, dinheiro, sucesso, e mesmo poder virão sempre acompanhados de um sentimento de incompletude e mesmo de fracasso.

Gosto dos homens. Alias, acho até que gosto mais do que a maioria das mulheres, pois não procuro rotula-los ou enquadra-los. Como consequencia, também reclamo menos deles.

Sempre precisarei de um homem com quem compartilhar o amor. Jamais para me situar no mundo e na vida.

Friday, April 16, 2010

Annus horribilis


Embora estejamos apenas em Abril, 2010 já pode ser considerdo um annus horribilis para a humanidade.

Wednesday, March 3, 2010

Sunday, February 28, 2010

A vida como ela é

"Indeed, she had not suffered so much anguish at his death as she should, because something inside her had closed, refusing to accept any more pain." Edward Rutherfurd

Monday, February 22, 2010

Glendalough



Glendalough, or the Glen of two Lakes, is one of the most important sites of maonastic ruins in Ireland. It is also known as the city of the seven Churches. Fourteen centuries have passed since the death of its founder, St. Kevin, when the valley was part of Ireland's Golden Age.

The two lakes, which gave the valley its... name, came into existence thousands of years ago, after the Ice Age, when great deposits of earth and stone were strewn across the valley in the area where the Round Tower now exists. The mountain streams eventually formed a large lake. The Pollanass river spread alluvial deposits across the centre of the lake and created a divide to form the Upper and Lower Lakes. The Glenealo river flows in from the West into the Upper lake which is the larger and deepest of the two lakes.

Before the arrival of St. Kevin this valley (glen) would have been desolate and remote. It must have been ideal for St Kevin as a retreat and area to be 'away from it all'. Kevin died in 617 A.D. at the age of 120 years and his name and life's work is forever entwine with the ruins and the Glendalough Valley.

Sunday, February 21, 2010

Saint Patrick's Cathedral


Built in honour of Ireland’s patron saint, Saint Patrick’s Cathedral stands adjacent to the famous well where tradition has it Saint Patrick baptized converts on his visit to Dublin.


A church was built on this site in 1191 and in 1991 we celebrated 800 years of worship. The present building dates from 1220. The Cathedral is today the National Cathedral for the Church of Ireland (Anglican).


Today the Cathedral is open to all people as both an architectural and historical site, but principally as a place of worship.

Thursday, January 14, 2010

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé


Do alto da minha inutilidade, rendo solidariedade ao povo do Haiti; e meus respeitos à memória de dona Zilda Arns, que conheci pessoalmente, quando trabalhei na Assessoria Especial de Mobilização Social de Combate à Fome, no Palácio do Planalto.

Tuesday, January 5, 2010

Quatro casamentos e um funeral: eu revi pela milésima vez





Porque eu amo essa poesia:

Funeral blues
W. H. Auden

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.

Thursday, December 17, 2009

Au fil des saisons...












Chegou Natal, chegaram as festas de Ano Novo. Para fechar o ano na Embaixada, tivemos, no dia 15 de dezembro, Recital do pianista Eduardo Monteiro. Agora mesmo, escrevendo este post, estou ouvindo seus acordes.



Estou indo para Paris. Deixo com vocês imagens de Dublin, no verão e no inverno. Aproveite o período de festas para ser feliz ao lado dos seus queridos.

Tuesday, November 24, 2009

Voltando aos bons hábitos

O tempo está passando rápido demais e eu estou começando a ter a sensação de que se eu deixar correr solto, não vou aproveitar Dublin tanto quanto aproveitei Paris - ao menos, depois que comecei a ter amigos e amigas franceses.

Por isso, aqui estou eu, 8 horas da noite, esperando o curso de principiantes terminar par ter minha aula na classe dos intermediários.

E depois... milonga.

A coisa maravilhosa do tango é que você muda de país, muda de idioma, mas a linguagem é a mesma, o que lhe proporciona aquela benfazeja sensação de pertencimento, mesmo que você seja um absoluto desconhecido: eu faço parte desta comunidade. E brevemente, tenho certeza, terei pessoas ao meu redor para conversar, e não apenas sobre tango.

Pois, embora dançar seja uma delícia - uma das melhores terapias que eu conheço - o meu objetivo confesso é conhecer pessoas. Ter amigos. E, principalmente, amigas, já que Chéri é o meu melhor amigo. Mas uma amiga faz falta, e como!

Então, lá vou eu.

Sunday, November 15, 2009

Viver no Exterior

Viver no Exterior é um desafio. Oh, eu não estou falando de viver fora do Brasil. Estou falando de viver longe de seu país. Seja o Brasil para brasileiros, a França para franceses, a Jamaica para jamaicanos. Viver no Exterior. Aprender - a conviver e a respeitar - uma cultura diferente.

Engraçado que quando fui para a França, embora apenas arranhasse a língua, não senti muito desconforto. Os parisienses - ao contrário do que reza a lenda - foram super-simpáticos comigo. Tão logo observavam minha dificuldade com o idioma, prontificavam-se a falar comigo em inglês - para meu horror, que queria porque queria falar em francês.

A língua inglesa não é exatamente estranha para mim - como para uma parcela de brasileiros. Minha filha, que trabalha em uma butique de luxo em Paris, foi indagada se o inglês é a segunda língua oficial do Brasil, porque os brasileiros afortunados que vão comprar na tal butique se exprimem perfeitamente em inglês.

Mas, voltando ao núcleo duro do assunto, o que eu quero dizer é que viver fora de seu país de origem é uma oportunidade maravilhosa de conhecer outros modos de vida - que funcionam. É uma perda de tempo se instalar em outro país e não mergulhar nele. Tenho uma colega no Itamaraty que serviu na Turquia e aprendeu o idioma turco. Eu mesma, se um dia for mandada pra Israel, aprenderei iidich; e se for para o Magreb (sabe, aqueles países no Norte da África, Marrocos, Argélia, Tunísia), aprenderei árabe, embora não seja necessário, porque eles também se exprimem em francês e em inglês. Mas, pôxa, não vou perder essa oportunidade!

Bla-bla-bla à parte, quero dizer que passei meu domingo mergulhada na Irlanda. Cheguei hoje de manhã à página 590 do livro The Princes of Ireland, de Edward Rutherfurd (bacana, faltam só 186 páginas para terminar o épico, que, aliás, recomendo). Enquanto passava minha roupa (ah sim, empregada doméstica aqui não é fácil e barata como no Brasil) ouvia o audio-book De Profundis, de Oscar Wilde. E depois do almoço assisti o DVD In the name of the father. Agora, enquanto escrevo este post, estou ouvindo a trilha sonora do filme Once e bebericando guaraná misturado com whiskey Jameson.

"Que exagerada!",você dirá, talvez com razão. Mas o fato é que faria o mesmo se estivesse na China ou no Paquistão.

Curiosa, curiosa, curiosa.

Como minha nora, inglesa, que aprendeu português como língua optativa na faculdade, por causa do marido dela (o meu filho). Ou como meu genro, francês, que sonha em comprar um pied-à-terre no interior do Rio de Janeiro, por causa da mulher dele (a minha filha).

Mas, voltando - de novo - ao assunto principal: será que é assim tão difícil respeitar o modo de viver dos outros?

Eu acho que esse planeta está ficando pequeno demais para a minha aquariana curiosidade.