Viver no Exterior é um desafio. Oh, eu não estou falando de viver fora do Brasil. Estou falando de viver longe de seu país. Seja o Brasil para brasileiros, a França para franceses, a Jamaica para jamaicanos. Viver no Exterior. Aprender - a conviver e a respeitar - uma cultura diferente.
Engraçado que quando fui para a França, embora apenas arranhasse a língua, não senti muito desconforto. Os parisienses - ao contrário do que reza a lenda - foram super-simpáticos comigo. Tão logo observavam minha dificuldade com o idioma, prontificavam-se a falar comigo em inglês - para meu horror, que queria porque queria falar em francês.
A língua inglesa não é exatamente estranha para mim - como para uma parcela de brasileiros. Minha filha, que trabalha em uma butique de luxo em Paris, foi indagada se o inglês é a segunda língua oficial do Brasil, porque os brasileiros afortunados que vão comprar na tal butique se exprimem perfeitamente em inglês.
Mas, voltando ao núcleo duro do assunto, o que eu quero dizer é que viver fora de seu país de origem é uma oportunidade maravilhosa de conhecer outros modos de vida - que funcionam. É uma perda de tempo se instalar em outro país e não mergulhar nele. Tenho uma colega no Itamaraty que serviu na Turquia e aprendeu o idioma turco. Eu mesma, se um dia for mandada pra Israel, aprenderei iidich; e se for para o Magreb (sabe, aqueles países no Norte da África, Marrocos, Argélia, Tunísia), aprenderei árabe, embora não seja necessário, porque eles também se exprimem em francês e em inglês. Mas, pôxa, não vou perder essa oportunidade!
Bla-bla-bla à parte, quero dizer que passei meu domingo mergulhada na Irlanda. Cheguei hoje de manhã à página 590 do livro
The Princes of Ireland, de Edward Rutherfurd (bacana, faltam só 186 páginas para terminar o épico, que, aliás, recomendo). Enquanto passava minha roupa (ah sim, empregada doméstica aqui não é fácil e barata como no Brasil) ouvia o audio-book
De Profundis, de Oscar Wilde. E depois do almoço assisti o DVD
In the name of the father. Agora, enquanto escrevo este
post, estou ouvindo a trilha sonora do filme
Once e bebericando guaraná misturado com
whiskey Jameson.
"Que exagerada!",você dirá, talvez com razão. Mas o fato é que faria o mesmo se estivesse na China ou no Paquistão.
Curiosa, curiosa, curiosa.
Como minha nora, inglesa, que aprendeu português como língua optativa na faculdade, por causa do marido dela (o meu filho). Ou como meu genro, francês, que sonha em comprar um
pied-à-terre no interior do Rio de Janeiro, por causa da mulher dele (a minha filha).
Mas, voltando - de novo - ao assunto principal: será que é assim tão difícil respeitar o modo de viver dos outros?
Eu acho que esse planeta está ficando pequeno demais para a minha aquariana curiosidade.