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Saturday, September 4, 2010

Daqui para a frente

Eu tenho uma espécie de motor ligado dentro de mim, que me impulsiona a ir sempre para a frente Ignoro o meu destino, mas, como é impossível ficar parada, eu vou.

Embora este jeito de ser seja a minha forca, também me assusta. Porque daqui a poucos anos estarei me aposentando e aí surge a questão: dedico-me a um tranquilo farniente, ou levo adiante aquele sonho antigo?

Vou me acomodar a uma rotina de caminhar na praia, frequentar livrarias e cinemas, ou enfrentar o desafio de tornar a literatura brasileira conhecida mundo afora?

O tempo me mostrara o caminho a seguir... O desejo que posso desde já expressar é que, algum dia, nesta longa caminhada, eu possa dizer: - Cheguei.

Thursday, August 26, 2010

Filosofando


O amor é uma doença, cuja cura requer a inoculação do antídoto da decepção, em doses sucessivas, até que o organismo reaja, criando o anticorpo da dúvida. O tratamento pode ser considerado um sucesso quando o organismo passa a resistir aos ataques do amor com os sintomas do cinismo.

Sunday, June 27, 2010

Sex and the City e as mulheres

Desde que minha filha aprendeu a exprimir suas opiniões, ela vem repetindo que eu sou diferente das demais pessoas. Claro que nunca concordei com esta assertiva. Sou um tipo perfeitamente corriqueiro, em nada me diferenciando dos demais seres humanos e - menos ainda - daqueles do meu genero, as mulheres.

Assim pensava eu. Até que, levada por uma doença que me deixou de cama por uma semana, comecei a assistir à série Sex and the City. Gostei tanto que acabei comprando todos os episodios. E ai veio a surpresa. Eu nao simpatizei com a personagem central, Carrie Bradshaw. Na verdade, eu a detestei. Mulher infantil, dependente, chata. Irritante.

Na véspera da estréia do segundo filme, no final de maio, assisti a um debate na televisão, protagonizado por quatro mulheres jornalistas e escritoras, sobre o fenomeno Sex and the City no pais e no mundo. Me chamou a atenção a afirmação da ancora do programa. Segundo ela, essa Carrie, que se deixa tratar como um lixo por Mr. Big, seria o prototipo de nada menos do que 90% das mulheres do planeta.

Chocada, comentei o fato com minha filha, que concordou com a avaliação da jornalista irlandesa. Sem palavras, pus-me a refletir.

Foi assim que, pela primeira vez, eu admiti que realmente devo ser diferente.

Eu vi um Mr. Big completamente diferente do que as mulheres "normais" viram. Aos meus olhos, ele sempre foi bastante claro sobre suas dificuldades com compromissos, dos quais fugia como o diabo da cruz. Mas também deixou claro seus sentimentos por Carrie, que queria, no entanto, faze-lo se encaixar na moldura que ela tinha fabricado para o homem "perfeito".

Bom, essa constatação me deixou com uma estranha sensação de isolamento. Mas não me conformo. Não é possivel que um numero tão grande de mulheres (quase a totalidade) considere que um relacionamento padrão com um homem seja a coisa mais importante a conquistar na vida, sem o que carreira, dinheiro, sucesso, e mesmo poder virão sempre acompanhados de um sentimento de incompletude e mesmo de fracasso.

Gosto dos homens. Alias, acho até que gosto mais do que a maioria das mulheres, pois não procuro rotula-los ou enquadra-los. Como consequencia, também reclamo menos deles.

Sempre precisarei de um homem com quem compartilhar o amor. Jamais para me situar no mundo e na vida.

Friday, April 16, 2010

Annus horribilis


Embora estejamos apenas em Abril, 2010 já pode ser considerdo um annus horribilis para a humanidade.

Sunday, February 28, 2010

A vida como ela é

"Indeed, she had not suffered so much anguish at his death as she should, because something inside her had closed, refusing to accept any more pain." Edward Rutherfurd

Sunday, November 15, 2009

Viver no Exterior

Viver no Exterior é um desafio. Oh, eu não estou falando de viver fora do Brasil. Estou falando de viver longe de seu país. Seja o Brasil para brasileiros, a França para franceses, a Jamaica para jamaicanos. Viver no Exterior. Aprender - a conviver e a respeitar - uma cultura diferente.

Engraçado que quando fui para a França, embora apenas arranhasse a língua, não senti muito desconforto. Os parisienses - ao contrário do que reza a lenda - foram super-simpáticos comigo. Tão logo observavam minha dificuldade com o idioma, prontificavam-se a falar comigo em inglês - para meu horror, que queria porque queria falar em francês.

A língua inglesa não é exatamente estranha para mim - como para uma parcela de brasileiros. Minha filha, que trabalha em uma butique de luxo em Paris, foi indagada se o inglês é a segunda língua oficial do Brasil, porque os brasileiros afortunados que vão comprar na tal butique se exprimem perfeitamente em inglês.

Mas, voltando ao núcleo duro do assunto, o que eu quero dizer é que viver fora de seu país de origem é uma oportunidade maravilhosa de conhecer outros modos de vida - que funcionam. É uma perda de tempo se instalar em outro país e não mergulhar nele. Tenho uma colega no Itamaraty que serviu na Turquia e aprendeu o idioma turco. Eu mesma, se um dia for mandada pra Israel, aprenderei iidich; e se for para o Magreb (sabe, aqueles países no Norte da África, Marrocos, Argélia, Tunísia), aprenderei árabe, embora não seja necessário, porque eles também se exprimem em francês e em inglês. Mas, pôxa, não vou perder essa oportunidade!

Bla-bla-bla à parte, quero dizer que passei meu domingo mergulhada na Irlanda. Cheguei hoje de manhã à página 590 do livro The Princes of Ireland, de Edward Rutherfurd (bacana, faltam só 186 páginas para terminar o épico, que, aliás, recomendo). Enquanto passava minha roupa (ah sim, empregada doméstica aqui não é fácil e barata como no Brasil) ouvia o audio-book De Profundis, de Oscar Wilde. E depois do almoço assisti o DVD In the name of the father. Agora, enquanto escrevo este post, estou ouvindo a trilha sonora do filme Once e bebericando guaraná misturado com whiskey Jameson.

"Que exagerada!",você dirá, talvez com razão. Mas o fato é que faria o mesmo se estivesse na China ou no Paquistão.

Curiosa, curiosa, curiosa.

Como minha nora, inglesa, que aprendeu português como língua optativa na faculdade, por causa do marido dela (o meu filho). Ou como meu genro, francês, que sonha em comprar um pied-à-terre no interior do Rio de Janeiro, por causa da mulher dele (a minha filha).

Mas, voltando - de novo - ao assunto principal: será que é assim tão difícil respeitar o modo de viver dos outros?

Eu acho que esse planeta está ficando pequeno demais para a minha aquariana curiosidade.

Monday, October 12, 2009

Deixa eu pensar um pouco

Eu tenho muitas dúvidas. A respeito de tudo. Houve um tempo em que eu me sentia desconfortável, e muito, por pertencer à raça humana: a pior espécie de animais produzida pela natureza. Depois, comecei a refletir que, apesar dos nossos instintos, frutos de hormônios e memórias ancestrais que habitam nosso corpo, temos algo além da animalidade: temos uma alma, que produz barbaridades como a guerra, a injustiça social, a ganância, a cobiça, a estupidez, mas que também engendra tantas coisas belas, como a música, a poesia, a literatura, a pintura, o cinema, a arquitetura... o idealismo, a amizade, o companheirismo, a fidelidade, o amor.

Eu continuo tendo muitas dúvidas. Ainda não entendo nada. Mas não sinto mais vergonha de ser humana.

Eu não perdi a perspectiva da finitude de tudo, inclusive de mim mesma e de todos os meus sentires, desejos, sonhos, perturbações. Sigo achando tudo muito inútil, sobretudo a dor e o sofrimento. Talvez eu esteja errada, todavia. Quem sabe cada pequeno progresso individual seja um avanço para a humanidade na Grande História que está sendo escrita por cada ser humano que vem ao mundo.

Uma vozinha de suspeita sopra-me ao ouvido direito que tudo é bobagem, perda de tempo. Então, mesmo sem entender nada, vou aproveitando os momentos de alegria gratuita que tem sido o meu quinhão. Talvez seja só isso mesmo. Mas já está muito bom.