Monday, July 26, 2010

Deletando você


Estava com insônia, então tomei uma atitude: deletei o seu perfil. Vou deletando você aos pouquinhos. Ainda falta muito, mas é assim mesmo. Dois anos não se apagam em um só clique. Se fizesse isso, correria o risco de esvaziar a memória, o que não é minha intenção. Ficaram lembranças boas, somente espero encontrar um compartimento discreto nesse disco rígido que é o meu cérebro para armazená-las tranquilamente, de modo que não incomodem, não gritem, não exijam atenção.

Já aconteceu tantas vezes... mas a gente não se acostuma. Sempre acha que “desta vez” vai ser diferente. E sabe por que não é diferente? Porque nós somos, em todas as situações, iguais a nós mesmos. A gente não muda porque não pode mudar. Não se pode virar uma outra pessoa, nem que se queira, para agradar, sem desagradar a si mesmo. Uma hora ou outra, o nosso eu sufocado busca espaço para se exprimir, tal qual um vulcão quando entra em erupção e então só nos resta suspirar, talvez chorar, e apertar o botão delete.

Sunday, June 27, 2010

Sex and the City e as mulheres

Desde que minha filha aprendeu a exprimir suas opiniões, ela vem repetindo que eu sou diferente das demais pessoas. Claro que nunca concordei com esta assertiva. Sou um tipo perfeitamente corriqueiro, em nada me diferenciando dos demais seres humanos e - menos ainda - daqueles do meu genero, as mulheres.

Assim pensava eu. Até que, levada por uma doença que me deixou de cama por uma semana, comecei a assistir à série Sex and the City. Gostei tanto que acabei comprando todos os episodios. E ai veio a surpresa. Eu nao simpatizei com a personagem central, Carrie Bradshaw. Na verdade, eu a detestei. Mulher infantil, dependente, chata. Irritante.

Na véspera da estréia do segundo filme, no final de maio, assisti a um debate na televisão, protagonizado por quatro mulheres jornalistas e escritoras, sobre o fenomeno Sex and the City no pais e no mundo. Me chamou a atenção a afirmação da ancora do programa. Segundo ela, essa Carrie, que se deixa tratar como um lixo por Mr. Big, seria o prototipo de nada menos do que 90% das mulheres do planeta.

Chocada, comentei o fato com minha filha, que concordou com a avaliação da jornalista irlandesa. Sem palavras, pus-me a refletir.

Foi assim que, pela primeira vez, eu admiti que realmente devo ser diferente.

Eu vi um Mr. Big completamente diferente do que as mulheres "normais" viram. Aos meus olhos, ele sempre foi bastante claro sobre suas dificuldades com compromissos, dos quais fugia como o diabo da cruz. Mas também deixou claro seus sentimentos por Carrie, que queria, no entanto, faze-lo se encaixar na moldura que ela tinha fabricado para o homem "perfeito".

Bom, essa constatação me deixou com uma estranha sensação de isolamento. Mas não me conformo. Não é possivel que um numero tão grande de mulheres (quase a totalidade) considere que um relacionamento padrão com um homem seja a coisa mais importante a conquistar na vida, sem o que carreira, dinheiro, sucesso, e mesmo poder virão sempre acompanhados de um sentimento de incompletude e mesmo de fracasso.

Gosto dos homens. Alias, acho até que gosto mais do que a maioria das mulheres, pois não procuro rotula-los ou enquadra-los. Como consequencia, também reclamo menos deles.

Sempre precisarei de um homem com quem compartilhar o amor. Jamais para me situar no mundo e na vida.

Friday, April 16, 2010

Annus horribilis


Embora estejamos apenas em Abril, 2010 já pode ser considerdo um annus horribilis para a humanidade.

Wednesday, March 3, 2010

Sunday, February 28, 2010

A vida como ela é

"Indeed, she had not suffered so much anguish at his death as she should, because something inside her had closed, refusing to accept any more pain." Edward Rutherfurd